UIPA - História:
Por presenciar o sofrimento de um eqüino, em cuja fronte, impunemente, um homem quebrava tijolos, em uma praça pública da Capital de São Paulo, o Suíço Henri Ruegger, em 1893, dispôs-se a denunciar o ocorrido à Sociedade Protetora dos Animais.
Indignado pelo fato de não existir no Brasil uma entidade do gênero, recorreu ao jornal “Diário Popular”, onde lançou a idéia de se criar no Brasil uma associação protetora dos animais. Com destaque nas principais colunas, outros artigos foram publicados pelos órgãos da imprensa, como no Jornal “Comércio de São Paulo” e no periódico “A Opinião”, conclamando a sociedade a conjugar esforços a fim de erguer voz contra os maus-tratos infligidos aos animais.
Visando divulgar a idéia da criação de uma entidade protetora dos animais, Henri Ruegger uniu-se ao Francês Jacques Vigier, e juntos pediram auxílio ao Senador da República, de descendência Inglesa, Ignácio Wallace da Gama Cochrane.
Aos 20 de Outubro de 1894, o “Diário Popular” publica a notícia de haver-se constituído uma comissão com a finalidade de criar uma associação protetora dos animais. Surgiu assim a Comissão Provisória integrada pelos Europeus Henri Ruegger e Jacques Vigier, acompanhados do Senador da República Fernando de Albuquerque, do Deputado Joaquim da Silveira Cintra e de Horácio Belfort Sabino, editor e grande proprietário burguês.
Enquanto mandavam-se vir os estatutos, regulamentos e outras informações relativas às associações congêneres de outros países espalharam-se algumas listas para a inscrição de associados.
Aos 30 de maio de 1895, constituiu-se a primeira Diretoria da UIPA, cujo presidente Ignácio Wallace da Gama Cochrane, por ocasião da Assembléia Geral de Instalação da UIPA, fez menção à freqüência dos atos de crueldade infligidos aos animais, contra os quais, por iniciativa da comissão criadora daquela entidade, não cessava a imprensa local de clamar, profligando-os com máxima energia. Promover não só a decretação de leis, mas auxiliar eficazmente o Poder Público para que, fiel e rigorosamente, as cumprisse era tarefa que se impunha e que não se realizaria, senão por meio de uma associação.
Em seu clamor pela criação da UIPA, a sociedade se fez representar por membros de sua elite intelectual e econômica.
Seu primeiro Presidente foi Ignácio Wallace da Gama Cochrane, Senador da República, Superintendente das Obras Públicas de São Paulo, um dos fundadores do Instituto Pasteur e da Companhia Telefônica.
Seu Vice-Presidente foi Bento de Paula Souza, Presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo e Ministro da Marinha; como tesoureiro, o Senador da República, em sua quarta legislatura, Fernando de Albuquerque e como Secretário Horácio Belfort Sabino, editor e grande proprietário burguês, fundador da Companhia City que projetou e implantou os bairros do Jardim Paulista, do Jardim América e do Alto de Pinheiros.
Visando dar assistência gratuita a animais abandonados e pertencentes à camada de baixa-renda, e, sobretudo, recuperar os animais vitimados por maus-tratos, em 1919, a UIPA inaugura o “Hospital Zoófilo São Paulo”, primeiro hospital do gênero.
Era o hospital chefiado pelo então vice-presidente da UIPA Affonso Vidal, cuja experiência acerca das práticas que, com maior freqüência, submetiam à crueldade os animais, possibilitou-lhe redigir o texto de um anteprojeto de lei que elencava as condutas que poderiam ser tipificadas como maus-tratos. O texto foi aprovado por Getúlio Vargas na íntegra, tal qual redigido por Affonso Vidal, em forma de Decreto Federal, em julho de 1934, quando o país encontrava-se em período de excepcionalidade política, que dava ao Chefe de Governo o poder legiferante. Com força de lei federal, surgiu o Decreto 24.645/34, principal norma protetiva que continua em vigor, além de ter servido de base a todas as leis que lhe seguiram visando a proteção dos animais.